quinta-feira, 10 de julho de 2008

Eu e o Band-aid

Hoje cortei o dedo (é, digamos que foi um coisa bem besta, mas enfim...)
e me dei conta de como é difícil abrir um band-aid com uma só mão!!!

Meu dedo estava sangrando muito (porque dedos sangram tanto? Que desagradável!) e por isso estava segurando ele acima da cabeça, bem lá no alto (algo em meus 5 anos de engenharia me dizia que assim sangraria menos), enquanto tentava colocar um band-aid.

Problema 1: tirar o dito cujo da caixinha. Nem preciso dizer que, quando com uma mão consegui tirar um da caixa, todos os outros voaram pro chão!
Problema 2: abrir o infeliz! Ave Maria, porque aquela cola é tão forte? Tentei abrir usando habilmente uma das mãos e a boca, quando rasgou a abinha que serve para abrir. Nisso, rasguei a lateral da embalagem com os dentes, super prático.
Problema 3: Tcharam, o danado escapuliu da embalagem e voou suavemente, parando DEBAIXO DA MINHA ESCRIVANINHA! E o dedo lá, sangrando!
Problema 4: Ao juntar o band-aid do chão, em mais um show de habilidade, tirei uma das abinhas que protegem a cola, e, surpresa, ela se auto-grudou, inutilizando todo aquele lado. Minha sorte é que meu dedo é fino e o outro lado foi suficiente para dar toda a volta!

E tudo isso com a mão pra cima e o dedo sangrando!

Praticamente uma artista de circo!

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Dos dias intermináveis

Você tem absoluta certeza de que há algo errado quando abre os olhos pela manhã e começa a contar os minutos que faltam para ir dormir novamente...

Socorro - Arnaldo Antunes
"Socorro!
Alguma rua que me dê sentido
Em qualquer cruzamento
Acostamento, encruzilhada
Socorro!
Eu já não sinto nada...

Socorro!
Não estou sentindo nada
Nem medo, nem calor, nem fogo
Nem vontade de chorar
Nem de rir..."

Eu fico mais triste que criança quando alguém me toma o doce.

Tá, já perdeu a graça essa brincadeira (alguém pode me dizer que é só uma brincadeira? É brincadeira, não é? Não? Eu achei que era...)

"I know what it means to be alone, I sure do wish I was at home."

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Nota pela lembrança


Hoje, 07/07/2008 faz 11 anos que meu pai saiu de Erechim láááá no interior do RS pra ir pra São Paulo.
Todos os anos lembro desta data...
Uma por que é fácil: ele foi pra lá no dia 07/07/97
Outra porque foi a primeira vez que passamos longe o aniversário dele (que é dia 12).
E foi o início de outras primeiras vezes que passamos longe inúmeras datas.

Mas foi também o início das férias mais legais da minha vida, da época em que fiquei mais perto da minha irmã, quando as duas matutas (no caso mais eu que minha irmã, ela já é mais "ligada" que eu desde sempre!) saíam a explorar São Paulo (minha primeira vez em ônibus urbano e em metrô) e depois Santos. Época dos intermináveis passeios pelos Shoppings (pena que o dinheiro não era interminável!) e dos infinitos McDonald's (como a gente gostava TANTO de McDonald's??? Era só porque não tinha em Erechim! Hoje eu acho "uó"! Só se salva o sorvete...)
Foi uma fase boa, afinal. Apesar das 16 horas de Erechim-São Paulo (quando eu chupava limão quando ficava enjoada, receita caseira da minha madrinha, que funcionava!). Apesar de ficar quinze dias sem ver o pai. Quinze dias que virou um mês, depois dois, e enfim ficamos 1 ano e meio sem nos visitar no ano passado.

Eu tinha 12 anos na época e não entendia porque meu pai tinha que ir pra tão longe!
Achava injusto.
Por que o MEU PAI tinha que ir pra longe, enquanto todos meus amigos tinham o pai ali, pra assoprar o ralado do joelho, pra buscar no colégio, pra fazer churrasco no domingo?

Mas aí eu cresci.
E, olhe só, estou fazendo minha vida no Rio de Janeiro!
Estou refazendo os passos que meu pai já deixou marcados ali pra mim, sem nem eu saber que ia segui-los.
Como quando eu era criança, e brincava de seguir as pegadas do pai na areia da praia, apesar do passo dele ser tão grande pra mim que eu tinha que pular - e nem sempre conseguia.

Mas eu cresci, e fiquei com as pernas bem compridas! A ponto de achar que já consigo seguir essas pegadas.
E que bom que a vida colocou essa guinada pra mim.
Só assim eu pude entender o que se passou na cabeça do meu pai naquele dia, 11 anos atrás.
Hoje posso ver como seu coração ficou partido e como ele teve que ser forte.
E também enxergo hoje que em nenhum momento ele esqueceu a mim ou a minha irmã.

Eu sei de tudo isso porque eu não esqueço dele, nem da Matiko, nem da minha irmã, nem da mãe, nem do Claudio, nem do Zeca, nem dos meus amigos que eu amo tanto e que ficaram mais longe. Hoje eu vejo que tem lugar pra todo mundo, mas que as coisas tem que ser assim.

Como diria Jimmy Page:
"Yes there are two paths you can go by,
but in the long run,
there's still time to change the road you are on"

Who knows?

Dos atrasos

Bom, meus amigos, já começa mais uma semana.
Aqui no Rio tem sol e estou estranhamente em casa às 14h44min desta bela tarde de calor.

Estive em Porto neste final de semana. (não me matem por não ter dado sinal de vida... eu realmente estou numa fase muito bicho do mato, não estou servindo para boa companhia...)

Enfim, pela primeira vez resolvi que iria na sexta de tarde pra lá, já que na sexta o Zeca apresentaria seu TCC, e eu queria estar lá desde cedo pra comemorar com ele.
Mas como alegria de pobre dura pouco, neste caso muito pouco, cheguei no Galeão por volta de 12:30, sendo que meu vôo (6710 da Webjet, com escala em Curitiba) estava marcado para às 15h.
Detalhe: neste momento caía o mundo lá fora, o taxista que me levou mal via um palmo na frente do nariz.
Quando cheguei no check in, qual não foi a minha "alegria" ao receber o cartão de embarque com horário previsto para às 16:49!!!!!! Comecei a chorar ali mesmo! Sim, meu vôo estava ULTRA atrasado (mais um detalhe: todos os vôos da Webjet estavam atrasados, e alguns cancelados, e eles alegavam que era por causa do fechamento, pela manhã, dos aeroportos de Curitiba e Porto Alegre. Só que TODOS os deles estavam atrasados, e só mais 1 vôo da Gol, o resto estava TUDO no horário. Bota história pra boi dormir!).
Resumo da ópera: cheguei em Porto às 22h, 4h depois do previsto e alguns minutos antes do aeroporto fechar! Dei sorte... e só contando com a sorte mesmo, porque nessas horas não adianta chorar nem espernear... Na falta do que fazer....



Em Porto, aquelas coisinhas de sempre... Almoço no Zero de Conduta...


... passeio no Zaffari (essa foto é pra Joana!!)


E, como não podia deixar de ser, transgredi completamente minha dieta, e hoje estou me retorcendo de dor no estômago. Mas vai dizer, quem mais tem um namorado coisa mais fofa do mundo que faz pão? Melhor: que faz "pão de calabresa com aroma de erva doce"? Veja aí e me diga se há alguma chance de resistir...


Certeza que eu exagerei... Isso foi no sábado... no domingo ainda teve pão de queijo, sorvete... espero que meu médico não leia esse blog!

Agora deixa eu babar um pouquinho!
Sim, nesta sexta-feira o tal José Alfredo aí de cima apresentou seu trabalho de conclusão e passou com 9,3!!! Mazaaaaaaa!
E eu, que não pude estar lá pra ver, fiquei explodindo de tão orgulhosa!
Agora é só correr pro abraço (e pro diploma)!

Deixa eu babar mais um pouquinho:

Agora não tem mais erro, dia 2 de agosto tá chegando!

No más, vamos lá, mais uma semana pela frente!

E a música que não sai da minha cabeça (o clip é lindo demais!):

I see you, you see me - The Magic Numbers
"I never thought - This is not what I'm like
I never thought - This is not what I do
I never thought - This is not what I'm like
I never thought - I think I'm falling for you
I never thought, I never thought
That I could feel this something
Rising, rising in my veins

And it looks like
I feel this something
Rising, rising in my veins
Looks like it's happened again"

quarta-feira, 2 de julho de 2008

"Usava gravata cor de bolinhas azuis e morreu!"

Resolvi começar o mês com uma bela imagem e escolhi uma foto que tirei à noite na Lagoa Rodrigo de Freitas.
Não sei se vocês lembram que uma vez eu comentei que toda vez que alguém me convidava para ir a Ipanema começava a tocar Garota de Ipanema na minha cabeça.

Pois acontece algo parecido com a Lagoa Rodrigo de Freitas. Tudo porque, quando eu estava na 4ª série, num destes teatros que a gente encena para os pais, interpretamos um texto chamado "Os diferentes estilos", de autoria de Paulo Campos Mendes. Foi hilário! Até hoje minha mãe dá muita risada quando lembra. Eu interpretei (praticamente uma mini atriz - hahaha) o "estilo feminino". E, invariavelmente, lembro disso quando alguém fala da Lagoa.

Aí vai o texto:

OS DIFERENTES ESTILOS
Parodiando Raymond Queneau, que toma um livro inteiro para descrever de todos os modos possíveis um episódio corriqueiro, acontecido em um ônibus de Paris, narra-se aqui, em diversas modalidades de estilo, um fato comum da vida carioca, a saber: o corpo de um homem de quarenta anos presumíveis é encontrado de madrugada pelo vigia de uma construção, às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas, não existindo sinais de morte violenta.

Estilo interjetivo
Um cadáver! Encontrado em plena madrugada! Em pleno bairro de Ipanema! Um homem desconhecido! Coitado! Menos de quarenta anos! Um que morreu quando a cidade acordava! Que pena!

Estilo colorido
Na hora cor-de-rosa da aurora, à margem da cinzenta Lagoa Rodrigo de Freitas, um vigia de cor preta encontrou o cadáver de um homem branco, cabelos louros, olhos azuis, trajando calça amarela, casaco pardo, sapato marrom, gravata branca com bolinhas azuis. Para este o destino foi negro.

Estino antimunicipalista
Quando mais um dia de sofrimentos e demando nasceu para esta cidade tão mal governada, nas margens imundas, esburacadas e fétidas da Lagoa Rodrigo de Freitas, e em cujos arredores falta água há vários meses, sem falar nas freqüentes mortandades de peixes já famosas, o vigia de uma construção (já permitiram, por baixo do pano, a ignominosa elevação de gabarito em Ipanema) encontrou o cadáver de um desgraçado morador desta cidade sem policiamento. Como não podia deixar de ser, o corpo ficou ali entregue às moscas que pululam naquele foco de epidemias. Até quando?

Estilo reacionário
Os moradores da Lagoa Rodrigo de Freitas tiveram nesta manhã de hoje o profundo desagrado de deparar com o cadáver de um vagabundo que foi logo escolher para morrer (de bêbado) um dos bairros mais elegantes desta cidade, como se já sabe não bastasse para enfeiar aquele local uma sórdida favela que nos envergonha aos olhos dos americanos que nos visitam ou que nos dão a honra de residir no Rio.

Estilo então
Então o vigia de uma construção em Ipanema, não tendo sono, saiu então para passeio de madrugada. Encontrou então o cadáver de um homem. Resolveu então procurar um guarda. Então o guarda veio e tomou então as providências necessárias. Aí então eu resolvi te contar isso.

Estilo áulico
À sobremesa, alguém falou ao Presidente que na manhã de hoje o cadáver de um homem havia sido encontrado na Lagoa Rodrigo de Freitas. O Presidente exigiu imediatamente que um de seus auxiliares telegrafasse em seu nome à familia enlutada. Como lhe informassem que a vitima ainda não fora identificada, S. Ex., com o seu estimulante bom humor, alegrou os presentes com uma das suas apreciadas blagues.

Estilo schmidtiano
Coisa terrível é o encontro com um cadáver desconhecido à margem de um lago triste à luz fria da aurora! Trajava-se com alguma humildade mas seus olhos eram azuis, olhos para a festa alegre colorida deste mundo. Era trágico vê-lo morto. Mas ele não estava ali, ingressara para sempre no reino inviolável e escuro da morte, este rio um pouco profundo caluniado de morte.

Estilo Complexo de Édipo
Onde estará a mãezinha do homem encontrado morto na Lagoa Rodrigo de Freitas? Ela que o amamentou, ela que o embalou em seus braços carinhosos?

Estilo preciosista
No crepúsculo matutino de hoje, quando fulgia solitária e longínqua da Estrela-d´Alva, o atalaia de uma construção civil, que perambulava insone pela orla sinuosa e murmurante de uma lagoa serena, deparou com a atra e lúrida visão de um ignoto e gélido ser humano, já eternamente sem o hausto que vivifica.

Estilo Nelson Rodrigues
Usava gravata cor de bolinhas azuis e morreu!

Estilo sem jeito
Eu queria ter o dom da palavra, o gênio de Rui e o estro de um Castro Alves, para descrever o que se passou na manhã de hoje. Mas não sei escrever, porque nem todas as pessoas que têm sentimentos são capazes de expressar esse sentimento. Mas eu gostaria de deixar, ainda que sem brilho literário, tudo aquilo que senti. Não sei se cabe aqui a palavra sensibilidade. Talvez não caiba. Talvez seja uma tragédia. Não sei escrever, mas o leitor poderá perfeitamente imaginar o que foi isso. Triste, muito triste. Ah, se eu soubesse escrever.

Estilo feminino
Imagina você, Tutsi, que ontem eu fui ao Sacha´s, legalíssimo, e dormi de tarde. Com o Tony. Pois logo hoje, minha filha, que eu estava exausta e tinha hora marcada no cabeleireiro, e estava também querendo dar uma passada na costureira, acho mesmo que vou fazer aquele plissadinho, como a Teresa, o Roberto resolveu me telefonar quando eu estava no melhor do sono. Mas o que era mesmo que eu queria te contar? Ah, menina, quando eu olhei da janela, vi uma coisa horrível, um homem morto lá na beira da Lagoa. Estou tão nervosa! Logo eu que tenho horror a gente morta!

Estilo lúdico ou infantil
Na madrugada de hoje por cima, o corpo de um homem por baixo foi encontrado por cima pelo vigia de uma construção por baixo. A vítima por baixo não trazia identificação por cima. Tinha aparentemente por cima a idade de quarenta anos por baixo.

Estilo concretista
Dead dead man man mexe mexe mexe Mensch Mensch MENSCHEIT

Estilo didático
Podemos encarar a morte do desconhecido encontrado morto à margem da Lagoa em três aspectos: a) policial; b) humano; c) teológico. Policial:o homem em sociedade; humano: o homem em si mesmo; teológico: o homem em Deus. Policia e homem: fenômeno; alma e Deus: epifenômeno. Muito simples, como os senhores vêem.

Quem sabe um dia...

Momento "não estou afim de estudar".

Vejam o que eu achei no Objetos de Desejo, que faz jus total ao nome do blog (pelo menos pra mim e pro meu alemãozinho preferido - e pra mais uma penca de amigos "apreciadores" de cerveja):

Home Pub = Geladeira + Chopeira!



Ahhhh, quando eu puder beber de novo....

segunda-feira, 30 de junho de 2008

AP 615

Hoje eu lembrei de fazer algo que eu sempre esquecia...
Lembrei de roubar uma foto que o meu fotógrafo preferido tirou da vista da janela do meu ex-ap lá de Porto.
Essa foto foi a derradeira, tirada quando ele pintava o ap pra entregar pra imobiliária.
Ela me faz lembrar porque eu aguentei aquela vizinhança "amigável" e as infiltrações que invadiam o banheiro e a cozinha (ou pseudo-cozinha) por mais de 3 anos...
E porque eu quase nunca fechava a veneziana.
Era muito bom chegar em casa cansada depois de um dia cheio, ligar o som e apagar as luzes, ficando só com a claridade da cidade, que nunca dorme.

(foto do meu fotógrafo preferido José Drehmer, tirada com sua querida Nikon D40)

Sister sister

Descobri que tenho (mais) uma irmã!

Não é a minha cara?
Os olhos dela brilham... ...ao menos os dela.

PS.: Sim, está acontecendo outra vez... a rotina está me engolindo de novo... e minha vontade de lutar contra isso está tendendo a zero. Há de passar.

Ramble On - Led Zeppelin
"Leaves are falling all around, It's time I was on my way.
Thanks to you, I'm much obliged for such a pleasant stay.
But now it's time for me to go. The autumn moon lights my way.
For now I smell the rain, and with it pain, and it's headed my way.
Ah,
sometimes I grow so tired, but I know I've got one thing I got to do"

segunda-feira, 23 de junho de 2008

"This is not what I'm like, this is not what I do"

Fuçando em blogs por aí (tenho lido coisas muito bacanas, vou tentar organizar as idéias e colocar ali nos meus favoritos - incluí hoje o Objetos de Desejo, que é ótimo. O brabo disso é que vou clicando nos links e indo de blog em blog e depois nem sei onde foi que li uma coisa legal) li algo, no mínimo, intrigante: "o genoma dos ornitorrincos acaba de ser completamente decifrado".
Pensei, imediatamente: "o que é que eu, aqui no Rio de Janeiro, debaixo das minhas cobertas, tenho a ver com isso?"
Nada
É, nada!
Pelo menos dei risada.

O fato é que ando tristonha ultimamente...
Não tenho um culpado pra isso, já que nenhuma falha - se é que podemos considerar momentos de tristeza como falhas no sistema - ocorre por uma única causa (afinal, não foi pra isso que eu estudei análise de riscos?).
Mas desconfio de algumas coisas... desconfio de muitas coisas, aliás.

Começando nas mais recentes...

Hoje não trabalhei de manhã e tive prova à tarde. Terminei a prova em uma hora, e, como de praxe, ninguém tinha terminado ainda.
(Antes que vocês pensem qualquer coisa, não, eu não tenho uma inteligência superior, não faço parte de nenhum clã alienígena querendo dominar o mundo e não tenho as provas programadas na minha HP. Eu só faço prova rápido, só isso.)
Como ia dizendo, isso eram 14:30. Imagine a felicidade da pessoa de, numa segunda-feira chuvosa, não trabalhar de manhã e estar liberada às 14:30! Um sonho, não?
Pois é... mas como eu ando ansiosa e impaciente, resolvi que não ia esperar ninguém.
Tomei meu rumo e me escondi embaixo das cobertas e na frente do computador, e cá estou desde então. Nesse meio tempo a Aline (que mora comigo) me ligou convidando pra ir num bar aqui pertinho. Nosso diálogo aproximado e resumido:

Aline: Clarissa, vem pra ca, estamos no bar tal.
Eu: Mas vocês tão bebendo, né? E eu não posso...
Aline: Ah, mas eu to tomando suco de laranja!
Eu: é, mas eu não posso beber nem suco de laranja...

E aí chegamos num ponto importante.
Eu e Elisa estávamos divagando hoje no almoço a respeito de como comida e bebida aproximam as pessoas.
Eu estou exatamente na contramão dessa realidade.
Ah, não posso sair pra beber e nem pra comer... e ver os outros fazendo sem poder compartilhar é masoquismo demais pra minha pessoa.
Estou experimentando a máxima do "nunca fiz amigos bebendo leite". E não tem como mesmo...

O caso é que eu fui no médico sábado.
E ele me encheu de exames e de remédios. Tenho inclusive que fazer uma endoscopia, já está marcada pra sexta-feira. Pelo menos a Joana vai comigo, pra eu não me sentir tão mal.
Quando saí do médico no sábado, com aquele monte de exames pra fazer e remédios pra tomar, andei até a praia e pensei "estou sozinha".
Não quero ser injusta com os amigos que tenho por aqui, eu sei que poderia ligar pra vários deles, mas naquela hora, senti um vazio beeeem grande.
Simplesmente por não saber nem por onde começar e como administrar isso tudo.
Sentei ali num quiosque, pedi um coco e liguei pro Zeca. E acabei com meus créditos.
Me situei e comecei a agir, já marquei os outros exames pra sábado de manhã.
Não foi tão difícil, mas o brabo foi pensar que, se eu estivesse em Porto, nada disso seria assim.
Lá eu já tinha as coordenadas e com no máximo dois telefonemas já resolveria tudo.

Eu sei que não é porque eu já estou melhor que eu posso largar de mão o tratamento e tal.
Aliás, isso deve acontecer na maioria das vezes com a maior parte das pessoas.
E eu não gostaria que fosse assim. Mas o fato é que estou me sentindo uma alienada do mundo!
Isso em UMA mísera semana de tratamento... o que o médico me passou agora vai durar PELO MENOS 28 DIAS!!!
Não, e, me diga, existe uma maneira lúcida de passar um domingo inteirinho estudando sem tomar café, nem chimarrão e nem comer chocolate?
Digamos que com chá de maçã a coisa não funciona tão bem...
Sem contar o sono que essa medicação toda tem me dado.
Eu passo o dia todo revezando meus pensamentos entre o que vou comer na próxima refeição (porque não posso fazer refeições volumosas, o que me deixa invariavelmente com fome o dia todo) e no feliz momento em que encontrarei a minha cama no final do dia.

Que tipo de coisa está acontecendo?
Eu me sinto sozinha mas, ao invés de me aproximar das pessoas, eu me afasto mais delas, sempre na tentativa de não amolar ninguém com os meus problemas.
Hoje mesmo a Elisa e a Joana estavam me falando que sim, eu posso me queixar, posso reclamar da vida, que os amigos também estão aí pra isso.
Que se eu não me queixo pra minha mãe, nem pro Zeca, nem pros meus amigos, pra quem então?
Ora, me queixo pra minha "legião" de leitores!
Imaginem, se eu já fiquei EXTREMAMENTE sem graça e já cheguei me desculpando ao pedir pra alguém ir comigo fazer a endoscopia (e eu só pedi porque o médico disse que era importante), como é que eu vou conseguir chegar em alguém - qualquer pessoa que seja - e derramar todas as minhas aflições?
Isso não é ser orgulhosa. Simplesmente não gosto de pedir ajuda.
E não gosto porque acredito que cada um já tem o seu fardo a carregar, uns com problemas maiores, outros com problemas menores, e não me sinto no direito de envolver ninguém na minha bolha.

Toda vez que penso em como tanta coisa está ruim eu lembro que fui eu quem escolheu vir pra cá, ficar longe de todo mundo e encarar esse desafio maluco que é o Cenpro.
E que se fosse fácil não seria um desafio, seria uma coisa pra qualquer um. E aí fico resignada, aceito quieta. E me fecho. Algo estranhamente novo pra mim!
Eu, que sempre falei demais, que sempre abri a minha vida no primeiro contato com as pessoas, me fechei. Talvez isso seja até uma atitude madura.

Pode ser...

Mas talvez eu tenha mesmo que extravasar mais, chorar mais, me emputecer mais.
Sair desse inverno que, apesar de não se manifestar lá fora, está congelando muita coisa dentro de mim (inclusive a minha habitual faceirice).
E fazer tudo isso com mais ruído, dar vazão e amplificar tudo isso que está se acumulando lá dentro... ...e que virou numa gastrite!

Enfim, eu teria mais umas duzentas divagações e reclamações e coisas (ir)relevantes a dizer.
Mas acho que este post já está gigante e que já devo ter espantado no mínimo a metade das pessoas que pararam pra ler.
Se você chegou até aqui, amigo, obrigada pela paciência e pelo "ombro virtual".

Sem mais (encheção de saco),


Merry Happy - Kate Nash
"I can be alone
I can watch the sunset on my own"

domingo, 22 de junho de 2008

"o que está acontecendo, o mundo está ao contrário e ninguém reparou?"

Você tem absoluta certeza de que há algo de muito errado acontecendo quando no primeiro dia de inverno faz 32ºC...


PS.: Foto tosca de celular...
Abre parênteses

A foto é tosca de celular porque ando meio receosa de andar com minha câmera por aí...
É que sexta eu saí pra fazer as unhas e me dei conta de que tinha um malandro me cuidando.
Nisso um porteiro me chamou e disse que o cara estava de olho em mim, e que eu ficasse ali na portaria um tempo até o cara ir embora. O porteiro ficou cuidando até que o cara dobrou a esquina pro lado onde eu não ia.
Eu segui meu caminho - com bastante medo.
E me dei conta de como a gente vai relaxando... no início eu chegava em casa e, se precisasse sair de novo, ia com o mínimo possível.
Na sexta-feira eu estava usando cordão e tornozeleira de prata, meu amado Swatch, cartão do banco, dinheiro e celular...
É, não dá pra bobear, afinal de contas, é o Rio de Janeiro...

Fecha parênteses

É isso, boa semana a todos!
Ah, e o sol ali da foto foi que nem alegria de pobre. Já está tudo encaminhado para uma segunda-feira com cara de segunda-feira!
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